FANDOM


Mural de Yokai

GeGeGe no Kitarō (ゲゲゲの鬼太郎) é uma franquia multimídia iniciada em 1960 pelo mangaká Shigeru Mizuki. É mais conhecido pela popularização das criaturas folclóricas conhecidas como yōkai, uma classe de espíritos-monstros à qual pertencem todos os personagens principais. A história segue Kitarō, um jovem rapaz da Tribo Fantasma nascido em um cemitério, e as aventuras e batalhas que ele tem com vários yōkai de todo o Japão.

Começando como um kamishibai em 1954, foi adaptado para várias mídias, como mangás, animes, romances, live action, peças teatrais e videogames.

A frase "GeGeGe" é originada do apelido de infância de Mizuki, GeGe, que lhe foi dado pois ele tinha dificuldade em dizer seu próprio nome, ficando preso no meio da sílaba "ge".

Visão geral

GeGeGe no Kitarō enfoca o jovem Kitarō - o último sobrevivente da Tribo Fantasma - e suas aventuras com outros fantasmas e criaturas estranhas da mitologia japonesa. Junto com: os restos mortais de seu pai, Medama-Oyaji (um fantasma mumificado reencarnado no seu globo ocular); Nezumi-Otoko (o homem-rato); Neko-Musume (a menina-gato); e uma série de outras criaturas folclóricas; Kitarō se esforça para unir os mundos dos humanos e yōkai.

Muitas histórias envolvem Kitarō enfrentando uma miríade de monstros de outros países, como o vampiro chinês Yasha, o transilvano Drácula IV e outras criaturas não-japonesas. Além disso, Kitarō também derrota vários yōkai malévolos que ameaçam o equilíbrio entre as criaturas japonesas e os humanos.

Algumas histórias fazem referência explícita aos contos tradicionais japoneses, mais notavelmente o conto popular de Momotarō, no qual o jovem herói defende um território japonês de demônios com a ajuda dos animais nativos. A história "A Grande Guerra Yōkai" (妖怪大戦争, Yōkai Dai-Sensō) extrai uma grande influência deste conto, com Kitarō e seus amigos yōkai dirigindo um grupo de yōkai ocidentais para longe de uma ilha.

Enquanto o personagem de Kitarō em GeGeGe no Kitarō é um garoto amigável que genuinamente quer o melhor para humanos e yōkai, sua encarnação anterior em Hakaba Kitarō o retrata como um personagem muito mais sombrio e travesso. Sua aparente falta de empatia pelos seres humanos combina com sua ganância geral e seu desejo por riqueza material o leva a agir de maneira imprópria para com os personagens humanos - muitas vezes ilusoriamente levando-os a situações de pesadelo ou até mesmo ao próprio inferno.

História

Kamishibai

De 1933 a 1935, um kamishibai popular criado por Masami Itō, intitulado como Hakaba Kitarō (ハカバキタロー), uma adaptação do conto Kosodate-Yūrei, tornou-se bastante popular, superando até mesmo Ōgon Bat.

Em 1954, Mizuki estava trabalhando como um artista de kamishibai quando seu chefe solicitou que ele fizesse algumas histórias baseadas em Hakaba Kitarō.[1] Depois de obter a permissão de Itō, ele começou a fazer quatro histórias: "Homem-Serpente", "Karatê Kitarō", "Galois" e "Mão Fantasma". Essas histórias introduziram o conceito do nascimento de Kitarō em uma sepultura, a presença de um segundo olho ("Homem-Serpente") e o personagem Medama-Oyaji ("Karatê Kitarō"), idéias que Mizuki usaria mais tarde. No entanto, além de "Karatê Kitarō", nenhuma dessas histórias tornou-se muito popular, e assim não foram mais produzidas depois de "Mão Fantasma". Embora as imagens das histórias de Mizuki não existam mais, uma cena do original de Itō foi incluída no livro de Koji Kata, A História dos Espetáculos Kamishibai.

Mangá de aluguel

LupaIcon.png Ver artigo principal: Hakaba Kitarō

Shōnen Magazine

Em 1965, as edições semanais da revista Weekly Shōnen Magazine (Kodansha) começaram a ter menos vendas em comparação a sua rival Weekly Shōnen Sunday (Shogakukan). Com a renuncia do editor-chefe, o editor Masaru Uchida procurou Mizuki para ajudar no aumento das vendas com uma versão de Kitarō voltada para o público infantil, e assim, o primeiro capítulo de Hakaba no Kitarō, "Mão", foi publicada em agosto do mesmo ano. Inicialmente a série não conseguiu vingar em popularidade deviado às suas publicações irregulares e foi colocada em um hiato após três capítulos. No entanto, no final das férias de verão, cartas de leitores na epóca incentivaram a continuação das publicações, evitando o seu cancelamento.[2]

De acordo com Uchida em seu livro, A Ideia da Singulariadade, era complicado um personagem como Kitarō ganhar simpatia do público e, por causa disso, seu colega Ryōtoku Watanabe (que era diretor do departamento televisivo da Toei) sugeriu alterações na atmosfera e narrativa do mangá, usando como exemplo o sucesso do live-action de Akuma-kun, também criada por Mizuki.[2]

A partir de 1967 a série passou a ter publicações regulares. O conteúdo das histórias também mudou, deixando de se apresentar como "suspense" para se adequar a demografia shōnen, tranformando Kitarō em um "herói que elimina os maus yōkai", o que ajudou na notoriedade da obra. Nesse período a palavra "yōkai" passou a ser usada com maior frequência. Foram publicados alguns remakes dos capítulos do mangá de aluguel, como "Vampiro Elite" (remake de "Johnny na Neblina"), "Onmoraki" (remake de "Um Estranho Companheiro") e "Oboro-Guruma" (remake de "Eu Sou um Calouro"). A história "A Grande Guerra Yōkai" foi a primeira a apresentar a Família Kitarō, formada por Sunakake-Babaa, Konaki-Jijii, Ittan-Momen e Nurikabe, acompanhando Kitarō.

A boa recepção estável fez com que o mangá fosse adaptado para uma série animada em 1968. O título foi alterado para GeGeGe no Kitarō a partir da história "Yōkai Keukegen", visando atrair patrocinadores para a série.[2] O lado heróico de Kitarō foi mais enfatizado nesse período e, em 1968, o mangá já estava sendo serializado em outras cinco revistas, como Bokura e Tanoshii Yōchien.

Paralelamente as publicações na Kodansha, as histórias do mangá de aluguel começaram a ser relançadas na Garo e Seirindō, sob o título de Contos Noturnos de Kitarō. Os capítulos foram redesenhados com algumas alterações nos roteiros. Na revista Hōseki foi publicada a série Guerra Vietnamita de Kitarō, apresentando Kitarō lutando ao lado dos vietcongues contra o exército americano. Nesse último mangá, Mizuki ficou responsável apenas pela ilustração enquanto os roteiros eram escritos por Mamoru Sasaki e Nobuyuki Fukuda.

Em 1969, a serialização da Shōnen Magazine se encerrou no auge da popularidade. Um epílogo entitulado "Após GeGeGe no Kitarō" foi publicado no ano seguinte.

Séries intermediárias

Mesmo com o final do mangá e do anime, a fama de Kitarō não diminuiu e uma nova série foi publicada na Weekly Shōnen Sunday (Shogakukan), mas tarde adaptada como um novo anime em 1971. Neste mangá, Kitarō é um hóspede do Apartamento Yōkai de Sunakake-Babaa, e mais outros yōkai se juntam a Família Kitarō. Ele ganha uma namorada chamada Nekoko, uma garota humana que consegue se transformar em um bake-neko, que o acompanha nas história (ela é substítuida por Neko-Musume no anime). Os capítulos dessa serialização também foram publicados nas revistas educacionais da Shogakukan.

No último capítulo da Shōnen Sunday, é Kitarō engolido por Yakanzuru mas é incapaz de fugir por sete anos,[3] mas dois anos depois, se inicia a publicação de Kitarō e Nezumi-Otoko, uma série curta e a cores com um forte tom satírico.

No ano seguinte, em 1974, a Gakken publicou a graphic novel de dois volumes Shinigami Tai-Senki, baseada no texto budista Ōjōyōshū e escrita por Kiyoshi Miyata. É considerada uma sequência de GeGeGe no Kitarō e apresenta Kitarō lutando contra os yōkai do Inferno.

Em 1976, a Shōnen Action (Futabasha) publicou Tour Fantasma Mundial de Kitarō, representando a Família Kitarō desempenhando um papel ativo contra os yōkai de outras partes do mundo. Além disso, entre 1976 e 1977, foram lançados alguns one-shots, como Kitarō vs. Akuma-kun e Yōkai Lockheed|.

De 1977 a 1978, a Shukan Jitsuwa (Nihon Journal Publishing) publicou as séries Zoku GeGeGe no Kitarō, Shin GeGeGe no Kitarō: Era dos Esportes e Shin GeGeGe no Kitarō. A primeira apresenta Kitarō como um estudante secundarista que usa um suéter listrado no lugar do chanchanko. É uma obra bastante singular na franquia, pois seu conteúdo é voltado para um público mais velho. Segundo o editor da Shukan Jitsuwa, ele não estava confortável com histórias mais adultas envolvendo Kitarō devido à sua fama com o público infantil, porém ele considerou que os fãs que acompanharam a serialização da Shōnen Magazine nos anos de 1960 já eram estudantes universitários. Mizuki procurava se afastar da imagem de Kitarō como um herói infanti, no entanto, mais tarde, ele declarou arrependimento por "trazer sexo para Kitarō" e corrigiu o erro em Era dos Esportes, fazendo Kitarō voltar a ser uma criança. Na segunda série, Kitarō é privado de poderes sobrenaturais e se torna um lutator de sumô e, posteriormente, um jogador de beisebol. A terceira série marca o retorno do status quo, reapresentando Kitarō como um herói que luta contra outros yōkai. Além disso, a adição de elementos de ficção científica levou a mais confrontos com alienígenas, e o conteúdo adulto foi mais suavizado. Em 1977, sincronicamente às publicações da Shukan Jitsuwa, a Manga Sunday (Jitsugyo no Nihon Sha) publicou a série Série de Desafios GeGeGe no Kitarō, composta por três histórias.

Em 1980, Ōbora Kitarō foi serializada na Monthly DonDon (Nihon Journal Publishing), enquanto a Shōnen Magazine publicou o one-shot Umibōzu-sensei. No mesmo ano, a Shōnen Poppy (Shonen Gahosha) lançou Yuki-hime-chan e GeGeGe no Kitarō, marcando a volta do personagem nas revistas para meninos. Esse último mangá gira em torno da irmã caçula de Kitarō, sendo essa a sua única aparição. A série mostrava o desenvolvimento da personagem, porém sua publicação foi descontinuada.

Tendências posteriores

No início da década de 1980, a popularidade de GeGeGe era reconhecida mesmo entre as crianças que não acompanharam a transmissão original dos animes. O segundo anime exibido em 1971 foi reprisado repetidamente à noite em áreas ruais e durante as férias de verão e inverno. Sob esse cenário, no verão de 1985, um especial em live-action de GeGeGe no Kitarō foi exibido no Monday Drama Land da Fuji TV, e um novo anime estreou em outubro do mesmo ano. O terceiro anime se tornou muito popular devido a vínculos com fabricantes de brinquedos e uso dos personagens em marcas de alimentos. O mangá Saishinban GeGeGe no Kitarō começou a ser publicado pela Comic Bom Bom (Kodansha) ao mesmo tempo da transmissão do anime. O mangá destaca o confronto entre Nurarihyon e a Família Kitarō, porém Mizuki não participou da produção, isso ficou a cargo do seu estúdio, Mizuki Production.

Em 1986, a Shōnen Magazine retorna com as suas publicações das histórias de Kitarō em uma nova série, Shinpen GeGeGe no Kitarō (o título "Shinpen" foi adicionado nos lançamentos em volumes). Shinpen trouxe de volta a fórmula do "yōkai da semana" e muitas das histórias foram adaptadas para o terceiro anime. O yōkai Shisa se torna o novo membro da Família Kitarō e aparece regularmente tanto no mangá quanto no anime. Em 1987, Arco do Inferno de Kitarō foi serializado na Monthly Shōnen Magazine, narrando a história de Kitarō viajando ao inferno para encontrar a sua mãe.

O terceiro anime foi reprisado repetidamente após seu encerramento, o que garantiu que a notoriedade da franquia não diminuisse. Em 1990, Kitarō Kunitori Monogatari começou a ser publicado na Comic Bom Bom/Deluxe Bom Bom. O mangá descreve a batalha de Kitarō contra o império subterrâneo Mu, sendo uma sátira da era das "bolhas sociais" na época. Nesse período surgiu a possibilidade de um novo anime, que serviria como uma sequência da série anterior de 1985. Ela seria baseada na "versão Bom Bom" e em Yōkai Fushigi Hanashi, publiicada na TV Magazine (Kodansha), mas devido a várias circunstâncias, o projeto foi descartado.

O projeto foi retomado mais tarde, pela demanda maior por histórias de fantasmas ao público infantil, e o quarto anime estreou em 1996, planejado como uma versão mais fiél às histórias originais. Nenhum mangá foi destinado a acompanhar a exibição do anime. Na Comic Bom Bom foi publicado Especial GeGeGe no Kitarō: Batalha Yōkai, com ilustrações que apresentava a Família Kitarō lutando contra os yōkai estrangeiros.

No mesmo ano, foi lançado na Big Gold (Shogakukan) o primeiro capítulo da série Kitarō Reidan, "Associação da Irmandade Abe". A Família Kitarō, agora chamada de "Grupo Espiritual Kitarō", é um grupo que age de acordo com as instruções dos bons espíritos, a fim de manter o equilíbrio na terra. O mangá foi cancelado devido aos direitos autorais dos personagens. O segundo capítulo, "Yōkai do Assédio Sexual Iyami", foi publicado em duas partes em 1997 na Manga Sunday.

Nos anos 2000, vários projetos foram propostos para comemorar o 80º aniversário de Mizuki. Em 2004, começa a serialização de Yōkai Sen Monogatari, escrita por Mizuki e ilustrada por Ryūichi Hoshino. Em abril de 2007, o primeiro filme em live-action foi lançado nos cinemas e se tornou um sucesso de bilheteria. O quinto anime estreou no mesmo mês.


Após da morte de Shigeru Mizuki

Uma série de GeGeGe no Kitarō estava sendo desenhada pelo próprio Mizuki, mas com o seu falecimento em 2017, o trabalho ficou inacabado. Apesar disso, a Mizuki Pro continua trabalhando em ilustrações dos seus personagens para vários eventos e produtos.

Não houveram grandes destaques após o término do quinto anime em 2009. A Família Kitarō faz uma participação no filme Yo-kai Watch Shadowside: Oni-ō no Fukkatsu, lançado em 2017. No ano seguinte, no quinquagésimo aniversário da estreia do primeiro anime de 1968, foi anunciada uma nova adaptação comemorativa que estreou em abril.

O sexto anime se tornou bem popular entre o público. Em 2018, um novo mangá de Shigenobu Matsumoto começou a ser publicado sazonalmente na revista CoroCoro Comic (Shogakukan). Com base em histórias rascunhadas pelo próprio Mizuki, a Mizuki Pro publicou dois one-shots, Gama-Bōzu de Iwato e A Batalha do Mte. Atago, respectivamente em 2018 e 2019.

Análise

Fora do Japão

Títulos de GeGeGe no Kitarō em outros idiomas:

  • Coreano: 요괴인간 타요마 (Tayoma o Garoto Yōkai)
  • Espanhol: Kitaro
  • Francês: Kitaro le Repoussant (Kitaro, o Repulsivo)
  • Inglês: Kitaro ou Spook Kitaro (Kitaro Horripilante)
  • Italiano: Kitaro dei Cimiteri (Kitaro do Cemitério)
  • Mandarim: 少年英雄鬼太郎 (O Garoto Herói Kitarō)
  • Tailandês: คิทาโร (Kitarō)

Ver também

Referências

  1. 平林重雄『水木しげると鬼太郎変遷史』24頁。1959年と記載されているものもあるが、現在は調査の結果1960年と判断。
  2. 2,0 2,1 2,2 大下英治「第五章 多様化するテレビアニメの世界 主題歌からとった『ゲゲゲの鬼太郎』」『日本ジャパニーズヒーローは世界を制す』角川書店、1995年11月24日、ISBN 4-04-883416-9、117頁。
  3. "Demônio Buer". GeGeGe no Kitarō. «1971» Shōnen Sunday. Shogakukan.
O conteúdo da comunidade está disponível sob CC-BY-SA salvo indicação em contrário.